Archive for July, 2014

Treino

Creio nem ser preciso enfatizar a importância que o período de treino tem para os times de futebol americano. Afinal, em um esporte complexo como o nosso, perfeição não é o suficiente para qualquer equipe que queira atingir o sucesso. Mas como usar ao máximo essas horas em que os atletas estão à disposição da comissão técnica, especialmente no Brasil, onde mais de um treino semanal é algo considerado artigo de luxo?

Não só como técnico de futebol americano mas também como jornalista e fã, já tive a oportunidade de acompanhar sessões de treino nos três principais níveis de prática da modalidade nos Estados Unidos: High School, College e NFL. Fazendo um apanhado dessas experiências e tentando adaptar para a nossa realidade, pretendo dar algumas dicas simples para otimizar seu programa de treinos e extrair uma melhor performance da equipe.

O normal no Brasil era termos treinos que duravam quase 4 horas, no entanto, se contássemos o tempo efetivo de atividade, não chegava nem na metade. Por isso, acredito ser mais produtivo ter um treino de alta intensidade e com os atletas totalmente focados durante um período mais curto do que desperdiçar tempo precioso. (more…)

Esta semana tive a oportunidade de passar por uma nova experiência como técnico de futebol americano nos Estados Unidos, algo bastante simples e que acredito que poderia beneficiar não apenas equipes, mas o nível técnico do esporte no Brasil.

Na última segunda-feira, dia 21, o West Philly Speedboys foi até a Lower Merion High School para participar de um 7-on-7 contra os Bulldogs, e o mesmo aconteceu na quarta, 23, contra o Neumann-Goretti Saints – duas equipes que não disputam a mesma liga que nosso time.

Se você não está acostumado com o termo, explico: 7-on-7 significa, como diz a tradução simples, 7 contra 7. O ataque é composto pelo center, quarterback e mais cinco jogadores elegíveis, variando de acordo com a formação. Já a defesa alinha apenas com três LBs e 4 DBs. Dessa forma, ambos os lados exercitam suas táticas para o jogo aéreo. Não há tackle, portanto nem é necessária a utilização de pads – recomenda-se, no entanto, o uso de capacetes. (more…)

fieldhouse

Quando se fala de High School Football, difícil quem não associe o termo com o drama de sucesso “Friday Night Lights”, série que permaneceu no ar por cinco temporadas na NBC, e que também foi exibida no Brasil por canais da tevê fechada. Uma comunidade que coloca sua equipe de alunos acima de tudo, respira o esporte 24 horas por dia, e jogadores que são tratados como celebridades. Por mais que a história seja inspirada em fatos reais e tal devoção realmente aconteça em diversos pontos do território americano, a fictícia cidade de Dillon, no Texas, estaria bem, mas bem longe de West Philly.

Filadélfia é uma grande candidata a se tornar a próxima Detroit, que viu sua economia implodir com a crise de 2008, declarou falência e agora enfrenta sérios problemas de violência. A cada ano, mais escolas públicas de Philly fecham as portas, devido à falta de recursos da Secretaria de Educação. Antes do início do ano letivo de 2013, por exemplo, só teve aula porque a Secretaria conseguiu um empréstimo de US$ 50 milhões na última hora. E quando a grana aperta, os primeiros departamentos a rodar são os de atividades extracurriculares, principalmente esportes. (more…)

Todo técnico ou coordenador precisa, um dia, decidir qual filosofia defensiva adotar para sua equipe, antes mesmo de começar a instalar jogadas e se preparar para competições. Mas como fazer isso de maneira eficiente, que maximize os resultados em campo?

Ao contrário do que muitos pensam, os coaches não definem a formação base de sua defesa arbitrariamente. Um defensive coordinator (DC) não opta por uma 4-3 porque seu time favorito na NFL usa essa filosofia; não decide por uma 3-4 pois é a que lhe agrada mais no Madden; ou se arrisca na 4-2-5 porque é um fã roxo (literalmente) da TCU.

Algumas particularidades fazem toda a diferença na hora de fazer essa escolha, que norteará a maioria de suas decisões em campo. E é disso que pretendo tratar neste post. (more…)

Concussion

Muito se fala sobre as possíveis complicações causadas por concussões, problema infelizmente recorrente em um esporte de contato como o futebol americano. Mas você, como técnico, sabe como identificar e, principalmente, como agir quando um atleta sofre uma pancada na cabeça?

Um dos requisitos para quando comecei a fazer parte da comissão técnica de West Philly High foi participar do curso online ConcussionWise, fornecido DE GRAÇA pela Sports Safety International. E aí pensei: está aí algo interessante para todos os brasileiros envolvidos com o futebol americano.

IMPORTANTE: o curso não substitui qualquer treinamento médico nem lhe capacita a fazer diagnósticos. Seria a mesma coisa de assistir “Dr. House” e achar que pode sair por aí identificando Lúpus nas pessoas. No entanto, é extremamente esclarecedor e ajuda os coaches a saber como lidar com a situação. (more…)

Coach Matheus Dias

Meu nome é Matheus Dias e sou viciado em futebol americano. Pronto, precisava tirar isso de dentro do meu peito. Essa informação é essencial para que você entenda todo o propósito deste blog e de meu trabalho. Neste espaço, pretendo compartilhar ideias, teorias e informações relacionadas à prática desse maravilhoso esporte, que a cada dia ganha mais espaço no Brasil. Mas antes, quem é este que vos fala?

Atualmente, sou técnico de Linha Defensiva e Linebackers da West Philadelphia High School, cujo nome é bastante autoexplicativo com relação à localização. O West Philly Speedboys é um dos mais tradicionais programas da cidade, e compete na liga para escolas públicas na categoria AAA.

Antes disso, fui Head Coach e, anteriormente, coordenador defensivo do Curitiba Brown Spiders, equipe pioneira na prática de futebol americano full-pads no Brasil. Também tive a honra de participar da comissão técnica da Seleção Paranaense Sub-19 como coordenador ofensivo em 2012, pouco antes de me mudar para Filadélfia, nos EUA.

Infelizmente, ao menos por enquanto, técnico de futebol americano não é minha profissão full time. Sou jornalista formado pela Universidade Positivo, em Curitiba, Paraná, e minha área de expertise é – veja você – a NFL. Como correspondente da Gazeta do Povo, cobri in-loco as últimas 6 edições do Super Bowl, oportunidades que não trocaria por nada nesse mundo. Também sou colunista do ExtraTime, prática que, para mim, é um dos pontos altos da semana.

Creio ser um dos pouquíssimos brasileiros, talvez o único, que já tinha experiência como técnico no Brasil e que agora está realizando o sonho de fazer parte de uma comissão técnica justamente no nível em que o esporte é mais praticado: High School. Por isso, pretendo usar este espaço para compartilhar diferenças que percebo no dia a dia, e que mesmo à distância podem ajudar a evoluir o esporte no Brasil.

Ainda estamos na pré-temporada, e a tendência é que o tempo se torne cada vez mais escasso à medida que o kickoff se aproxime, mas tentarei usar o tempo livre para colocar aqui o que der na telha: afinal, essa é a graça dos blogs.

Pela atenção, obrigado!